Rhythm Heaven Groove transforma situações estranhas em pura diversão rítmica – Review

Uma experiência rítmica incrivelmente simples, bizarra e contagiante. Dispensa grandes tecnologias para entregar uma diversão pura, onde seus sentidos se comunicam diretamente com o seu corpo em um fluxo absurdamente viciante.


Rhythm Heaven é o tipo de esquisitice da Nintendo que sempre me deixou curioso. É aquele jogo que, só de bater o olho, você já quer entender como funciona na prática. Tive a oportunidade de jogar Rhythm Heaven Groove e adianto que é uma experiência tão estranha quanto empolgante. Você começa pensando: “ah, vou jogar uma fase rapidinha aqui e já estou satisfeito”, mas, quando se dá conta, já passou por várias fases — ou repetiu a mesma dezenas de vezes —, completamente contagiado por esse ritmo viciante.

“pa pi pu pe po” – Screenshot: Nintendo Switch/Joguindie

Rhythm Heaven Groove é, ao que tudo indica, a experiência definitiva da franquia. Não vou me aprofundar muito nisso porque não joguei os títulos anteriores, mas Rhythm Heaven Groove é um jogo bem completo, com uma quantidade generosa de possibilidades rítmicas. Quando comecei, nunca sabia direito o que esperar. A gente acompanha os trailers e materiais de divulgação, acha tudo meio esquisito e curioso sem ter muita noção de como funciona na prática, mas aí, na hora que você joga, percebe o quanto tudo aquilo que viu faz sentido de fato.

O jogo tem a capacidade de te entreter de um jeito um tanto abstrato. No primeiro momento, você fica meio confuso sobre como a dinâmica funciona, ainda que seja incrivelmente didático: logo no início de cada fase, ele te explica tudo sem delongas, mostrando exatamente o que você precisa fazer para passá-las. É essa mistura de bizarrice conceitual com uma clareza absurda no tutorial que torna a experiência tão amigável no início.

Esperando chegar a minha vez de agir – Screenshot: Nintendo Switch/Joguindie

O jogo é muito simples, tipo… muito simples mesmo. Tanto que você só precisa se atentar ao pressionar de dois únicos botões por fase. Para exemplificar o funcionamento: imagine uma fase onde você controla um personagem fofinho segurando um guarda-chuva. O seu propósito ali, junto com os outros bonequinhos ao lado, é abrir e fechar o guarda-chuva no tempo certo da música. Para isso, basta usar o botão “para baixo” para fechar e o “A” para abrir. O segredo é entender como o ritmo está sendo construído, principalmente ouvindo, mas também observando a maneira como os NPCs e o próprio cenário do jogo se comportam.

A dificuldade do jogo está diretamente entrelaçada à sua capacidade de entender e lidar com os desafios rítmicos. E não é fácil não. Eu, particularmente, não sou dos jogadores mais habilidosos nesse gênero, então precisei prestar muita atenção para conseguir extrair bons resultados em cada fase. O aspecto rítmico em si é um tanto simples de entender, porém encaixar o que você está escutando aos comandos nos botões no tempo correto é o verdadeiro desafio — especialmente em fases que brincam com a sua percepção usando artifícios visuais e sonoros que exigem concentração em níveis máximos.

Diferente de alguns cachorinhos por aí, sou uma negação em pegar discos no ar… – Screenshot: Nintendo Switch/Joguindie

O jogo tem alguns modos bem legais, como a sua própria campanha principal, que é o modo tradicional de progressão. Em Rhythm Heaven Groove, ela funciona através de blocos de minijogos rítmicos, cada um com suas próprias regras e identidade. Ao final de cada bloco, você ainda é desafiado por um Remix que mescla as fases que você acabou de passar — o que é muito divertido. O que mais curti na campanha é que ela serve como uma excelente porta de entrada para o jogo; a progressão tem um equilíbrio muito bem ajustado. Ao longo dela, você aprende organicamente como as mecânicas funcionam e estimula suas habilidades rítmicas no momento certo, evitando que você caia de paraquedas em uma fase com a dificuldade muito fora da sua realidade atual.

Outro modo muito legal e também o mais engenhoso de Rhythm Heaven Groove é o Beatspell, que funciona como um RPG rítmico bem diferentão. Nele, o seu objetivo é derrotar os inimigos com base no ritmo, então você precisa ficar atento aos sons para acertar os comandos no tempo correto, montar combos e desferir seus ataques. Acertar os botões no compasso exato da música, conjurar magias rítmicas ou se esquivar dos golpes dos monstros serão suas principais manobras de sobrevivência. Se você perder o ritmo, seu herói leva dano, o que esvazia a sua barra de vida. A progressão desse modo se dá através do avanço por mapas e de algumas pequenas customizações, estruturando uma jornada que vai escalando em dificuldade, permitindo que você enfrente inclusive chefões rítmicos que mudam o andamento da música e quebram o tempo para tentar te confundir. É um negócio desafiador e divertido à beça.

Engolindo corações – Screenshot: Nintendo Switch/Joguindie

O jogo também conta com um modo multiplayer, mas acabei não conseguindo testar tanto quanto gostaria. Pelo pouco que joguei, deu para notar que é basicamente a proposta clássica adaptada para mais pessoas, o que rende ainda mais diversão. A dinâmica funciona muito bem porque você cria momentos de total sinergia — ou de completo caos — com quem está jogando contigo, garantindo uma experiência rítmica ainda mais desafiadora e envolvente. Espero não demorar para conseguir reunir mais pessoas para testar as possibilidades ao máximo.

Outro modo que gostei um bocado é o Rhythm Toy Box, que nada mais é do que uma salada de possibilidades rítmicas estranhas e divertidas. Imagine que é aquele lugar onde você vai para dar uma descontraída com desafios mais aleatórios e menos competitivos, por assim dizer, servindo como uma ótima válvula de escape para brincar com o ritmo de maneira mais livre.

Ainda não dominei o ritmo dessa fase… – Screenshot: Nintendo Switch/Joguindie

Quando a coisa ficar difícil e te abalar de algum modo, é hora de tomar um café. Vá até a seção do Café do jogo; lá acontecem alguns diálogos divertidos que podem te motivar (ou não), mas que, via de regra, vão facilitar a sua progressão de algum jeito, seja te dando aquela dica crucial ou o suporte necessário para superar a fase que travou o seu ritmo.

O que dizer da trilha sonora e dos sons? Meio que já comentei sobre eles, mas, indo um pouco mais além, dá para dizer que são a chave do sucesso de Rhythm Heaven Groove. Cada música e efeito sonoro entrega uma mensagem rítmica para você, e saber decifrá-la é o grande segredo para uma experiência cada vez mais envolvente e divertida.

Quando eu frear, vocês freiam junto; quando eu acelerar, vocês aceleram também. Sem perder o compasso, vamos lá! — Screenshot: Nintendo Switch/Joguindie

Gosto de jogos que fazem você, sem perceber, ficar se sacudindo, balançando a cabeça, se mexendo… É mágico isso! E Rhythm Heaven Groove fez isso comigo em quase todos os momentos. Ele é um jogo cheio de gingado, que estimula o cérebro de um jeito incrivelmente viciante. Você fica tão imerso na batida que, quando se dá conta, tá batucando a todo momento, inclusive longe do console, com aqueles ritmos chicletes que grudam na cabeça.

É interessante como Rhythm Heaven Groove prova que não precisamos de tanta tecnologia para sermos contagiados por algo; a genialidade do jogo está justamente na maneira como os seus próprios sentidos se comunicam diretamente com as ações emitidas pelo seu corpo.

Caranguejo também entra no ritmo – Screenshot: Nintendo Switch/Joguindie

Confesso que não fazia ideia do poder de Rhythm Heaven. Quando me dei conta, estava completamente imerso em ritmos e viciado em toda essa proposta inusitada, mas verdadeiramente divertida. Sem dúvida, uma grata surpresa para mim, que ainda não tinha tido contato com a franquia. Imagine para você? Caso tenha jogado os outros títulos, deve estar com um sorrisão de orelha a orelha.

Mais detalhes da minha experiência com o jogo estão no Joguindie Journal.

A cópia do jogo utilizada para essa review foi generosamente disponibilizada pela assessoria de imprensa da Nintendo, distribuidora do jogo, a qual agradeço pela confiança.


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