Dracamar é um jogo de plataforma 3D repleto de elementos que tornam o gênero tão querido. No entanto, a precisão da mecânica, que é justamente o pilar mais crucial para o sucesso desse tipo de jogo, acaba deixando um pouco a desejar.
O jogo se passa em um mundo fantástico cujas criaturas foram contaminadas por um ser maligno, com uma história que gira em torno desse vilão, chamado Crad, e de toda a bagunça que ele causa. Confesso que já estou acostumado com histórias rasas em jogos de plataforma 3D, tanto que isso nem chega a ser um problema para mim.

Quando a gente começa a jogar é que a coisa fica séria. Dracamar tem uma jogabilidade familiar aos clássicos do gênero, mas peca demais na precisão. Os pulos têm uma sincronia estranha, assim como a movimentação, dando uma sensação de controle muito plástica e sujeita a movimentos indesejados. Joguei no Nintendo Switch 2 através da retrocompatibilidade, mas o jogo só tem versão de Nintendo Switch até o momento, o que poderia sugerir limitações técnicas. No entanto, o jogo roda a 60fps cravados e sem travamentos, o que indica que essa imprecisão na jogabilidade é um problema de design, e não de desempenho.
Ainda bem que o jogo não exige grandes feitos em plataformas, pois a jogabilidade simplesmente não acompanharia. Mesmo em desafios simples, tive dificuldades para encaixar a movimentação e as ações corretas. Isso consequentemente desencadeia mortes indesejadas e perda de tempo, pois um salto que deveria ter dado certo acaba falhando e fazendo você refazer o trecho. Como gosto de jogar de forma bem acelerada e estou sempre correndo para encaixar os pulos e lidar com os desafios com movimentos rápidos, o jogo não acompanhava o ritmo das minhas ações.

Por pouco não desisti do jogo. Tive problemas sérios para avançar em um cenário, pois um bug em uma área específica fazia com que o personagem morresse direto. Para piorar, mesmo quando eu revivia, ele morria novamente no mesmo instante, o que me forçava a fechar o jogo e abrir de novo. Só consegui passar desse trecho na quinta tentativa, quando optei por ignorar tudo e correr desesperado para o fim da fase.
A dinâmica de Dracamar é simples: você navega pelo mapa do mundo de fase em fase e, conforme passa as fases, novas fases são desbloqueadas. Mas a progressão não é apenas sobre passar as fases, você vai ter que coletar e plantar as sementes para reconstruir as pontes, e só depois que tiver a quantidade requerida poderá avançar. No começo, não tinha interesse algum nos coletáveis, então quando descobri a necessidade dei uma desanimada, pois eles não me instigavam a coletá-los. Mas, como o jogo torna obrigatória uma quantidade mínima, tive que explorar mais, o que de certo modo não foi de todo mal, pois consegui me conectar melhor com esse lado do jogo.

Os cenários têm uma construção amigável: você bate o olho e sabe exatamente o que fazer. Tem alguns coletáveis que estão mais escondidos, mas, se você desacelerar o ritmo, consegue entender onde estão, especialmente através de algumas dicas que o jogo dá. Quando entrei mais fundo na exploração, curti mais o jogo. Além de consumir seu tempo em cada cenário, a exploração faz você se conectar com a proposta de level design que os desenvolvedores aparentemente queriam. Quando eu precisava de uma quantidade mínima de coletáveis, passava por cada canto do cenário menos apressado, observando como ele tinha sido construído, e aí quando encontrava o item, vinha a satisfação de uma descoberta que só foi possível com um pouco mais de observação.
No que diz respeito à dificuldade, o jogo não tenta ser difícil e se mantém fácil do começo ao fim, porém os problemas de jogabilidade que apontei podem elevar razoavelmente a dificuldade, embora nada demais. O maior desafio, por assim dizer, são as batalhas de chefe, e ainda assim você deve conseguir passar sem problemas. As batalhas contra chefes são bem simplórias, do tipo em que você só precisa memorizar suas ações básicas para conseguir derrubá-los.

Dracamar é um jogo de plataforma muito similar a tantos outros. Me diverti a maior parte do tempo, mas também precisei ser persistente, pois houve momentos em que o jogo deixava a peteca cair de um jeito… Acho que a recomendação depende de você querer algo leve para jogar, visualmente agradável e até relaxante, mas sabendo que a jogabilidade não é das mais prazerosas e que ele entrega apenas o arroz com feijão do gênero.
Mais detalhes da minha experiência com o jogo estão no Joguindie Journal.
A cópia do jogo utilizada para essa review foi generosamente disponibilizada pela assessoria de imprensa da Petoons Studio, distribuidora do jogo, a qual agradeço pela confiança.
