Não é sobre não ter gostado de Forspoken, mas sobre não ter me conectado

Por muito tempo, fui refém da ideia de que “se comecei, tenho que terminar”. Mas hoje em dia entendo melhor que insistir em algo que a gente não tá gostando custa caro demais.


Sou apaixonado por RPGs; é o gênero que genuinamente me traz mais alegria. No entanto, ao contrário de outros estilos, não me permito falhar na escolha de um bom título do gênero. Sei que, ao iniciar um RPG, farei um investimento massivo de tempo.

Quando escolhi Forspoken, minha intenção era simples: queria uma diversão descompromissada de, no máximo, 30 horas. Eu buscava algo mais curto e leve dentro do gênero, uma experiência que saciasse meu desejo por RPG e me deixasse livre, logo em seguida, para explorar algo diferente.

Como você deve imaginar, a experiência não foi das melhores. Mas o ponto aqui não é a qualidade do jogo, e sim o quanto certas obras simplesmente não se conectam conosco. Desde os primeiros minutos, não senti “ligação” com nada: história, personagens, atmosfera, visuais… geralmente quando algum jogo não funciona comigo, não é um conjunto de coisas que desgosto, mas uma coisa ou outra, no caso de Forspoken, como acabei de comentar, nada me agradou no jogo, mesmo de coração aberto. Sinceramente, não sei expressar com clareza as razões sem apontar os diversos problemas do jogo, detalhes que ao meu ver não agregam agora.

Atualmente, me considero um jogador pouco exigente. Não procuro ser um crítico técnico; quero apenas enxergar o melhor de cada jogo, independente dos defeitos. Por isso, minha experiência com Forspoken foi tão amarga: quando você está de coração aberto e, ainda assim, nada te agrada — nem a atmosfera, nem o ritmo —, é um sinal claro de que a falta de conexão não é apenas uma questão de detalhe técnico, mas de uma ausência completa de dela com aquela proposta.

Minha fase de vida atual exige cautela nas escolhas. Quero gastar meu tempo com o que me gera algum tipo de prazer, embora no caso dos RPGs, também tem que haver a conexão. Não vejo como “desperdício” jogar algo que a crítica considera ruim, desde que eu esteja só me divertindo. Existe um ódio desproporcional na internet que eu não compartilho: há jogos bons e ruins para todos. O que dita a experiência é o seu momento, o seu estado de espírito e a sua disposição.

Depois de um pouco mais de duas horas de jogatina, optei por parar. Poderia ter insistido mais? Talvez. Por muito tempo, fui refém da ideia de que “se comecei, tenho que terminar”. Mas hoje em dia entendo melhor que insistir em algo que a gente não tá gostando custa caro demais. Gosto de pensar que desistir de um jogo é como um exercício de autoconhecimento. A decisão de desistir — algo que ainda estou aprendendo como fazer sem sentir um pesar enorme na consciência, diga-se de passagem — foi a melhor possível para mim. Entendi que o tempo que eu gastaria tentando “achar diversão e conexão” em Forspoken era o tempo que eu estava roubando de mim mesmo em outras experiências. Em seguida comecei a jogar um joguinho leve de plataforma que não jogava há pelo menos um ano, foi mágico. O jogo se chama Lunistice, se você curte plataforma 3D, fica a recomendação.


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