Alguns jogos como Lovish acabam me ganhando primeiro pela estética, e só depois pela proposta de jogabilidade. Quando vi o trailer — com partes animadas que remetem às animações dos anos 80, e uma pixel art de poucos detalhes, mas bem executada — lembrei logo de UFO 50, um jogo cuja estética me encanta um bocado. Então fui atrás de jogar Lovish o quanto antes, pois o material de divulgação já tinha me convencido.

Lovish é um plataforma 2D protagonizado pelo adorável Solomon, um carinha que carrega um coração no visor do capacete e tem a missão de espalhar o amor por onde passa. A trama gira em torno do resgate da princesa Tsuna, que aparentemente foi raptada. A história é simplória, mas sua inocência a torna divertida de acompanhar.
O jogo segue um formato tradicional: são 7 estágios, cada um composto por 10 níveis. Cada mundo traz seu próprio grau de dificuldade, desafios e monstros, embora a estrutura dos inimigos não varie tanto — as mudanças são mais visuais e em determinados detalhes de construção dos níveis.
Particularmente, achei os desafios bem tranquilos se o objetivo for apenas chegar ao final. No entanto, quando tentei coletar todas as coroas o nível de dificuldade subiu consideravelmente, embora ainda de forma equilibrada. Gostei do fato do jogo não apelar para aquele algo punitivo que gera mais raiva do que diversão.

A jogabilidade é descompromissada: você basicamente pula e ataca, porém há habilidades extras como disparar raios, dar dash e outras que extendem a jogabilidade, apesar de ser muito pouco. O ponto de atenção aqui é a barra de vida: você tem apenas uma.
Se morrer, volta para o início da fase. A sacada do jogo é fazer você aprender o modelo do nível a cada tentativa. Morrer acaba sendo parte da mecânica; quanto mais você falha, mais entende o ritmo da fase até que, após algumas repetições, você a passa com naturalidade. Além disso, ao final de cada nível, ocorre um evento aleatório. Esses eventos variam entre baús (vazios ou com tesouros) e situações engraçadas, como quando uma menina que lembra a Samara, de O Chamado, surge de um buraco e faz Solomon sair correndo desesperado.

Visualmente, o jogo é um deleite para quem gosta da era 8-bit, misturando o charme retrô com referências modernas a obras japonesas. A trilha sonora é um verdadeiro “chiclete” rítmico — muito cativante no início, mas que pode se tornar um pouco repetitiva depois de um tempo.
Quando zerei Lovish me senti satisfeito com a experiência. Optei por não focar tanto nas coroas, jogando no meu próprio ritmo e fazendo o que me divertia. Para quem gosta de completar 100%, as coroas certamente oferecem um desafio legal.

Lovish é um jogo competente. Embora não esbanje tanto esmero, ele diverte do começo ao fim. Se você procura um título 8-bit com desafio razoável, ritmo acelerado e bom carisma, Lovish entrega exatamente o que promete.
Mais detalhes da minha experiência com o jogo estão no Joguindie Journal.
A cópia do jogo utilizada para essa review foi generosamente disponibilizada pela assessoria de imprensa da DANGEN Entertainment, distribuidora do jogo, a qual agradeço pela confiança.

