Não me lembro de qual evento estava assistindo quando vi Denshattack! pela primeira vez, mas me recordo de ter sido contagiado pela estética e pela promessa de jogabilidade do trailer apresentado. O tempo passou desde então e o jogo finalmente foi lançado. Agora que tive contato com ele, adianto que conseguiu ir além de tudo o que havia mostrado, provando-se como uma das experiências mais legais que tive o prazer de jogar em muito tempo.
Denshattack! transporta você para a cultura ferroviária nipônica, onde você controla Emi. Ela é a base da trama do jogo, porém é preciso ser franco: a história ao redor dela é simplória e, em grande parte, dispensável.

Os acontecimentos e as motivações do elenco são bem bobinhos. Para quem já teve a oportunidade de vivenciar a eficiência impecável dos trens no Japão, cruzando as catracas apressadas de Tóquio ou Osaka com um cartão IC em mãos, captar esses detalhes, ainda que de uma perspectiva fantasiosa, é muito reconfortante. Infelizmente, a trama não é das mais interessantes e confesso que, mais para o final do jogo, passei a pular a maioria dos diálogos para me concentrar apenas na jogabilidade.
O nível de refinamento da jogabilidade de Denshattack! é um negócio de tirar o chapéu, pois o jogo entrega uma experiência jogável muito bem idealizada e executada. Você realmente sente o fluxo do trem na sua mão e, quanto mais confortável fica com as manobras e com os desafios dos trilhos, mais envolvido pela jogabilidade fica.

Em Denshattack!, desde que haja algum tipo de trilho, o seu trem vai seguir em frente. Fazer isso é simples e, ao mesmo tempo, repleto de minúcias que tornam a experiência cada vez mais empolgante, já que as possibilidades de manobras em meio à velocidade constante criam um sentimento de liberdade muito particular e envolvente.
As mecânicas de Denshattack! lembram as vistas em jogos de skate como o clássico Tony Hawk’s Pro Skater, mas sobre trilhos e de forma mais descompromissada: o objetivo principal é manter o flow enquanto encadeia manobras no ar, grinds em corrimãos e trocas rápidas de linha. O controle do trem responde com uma precisão satisfatória, permitindo que você use rampas para se lançar, execute giros e manobras radicais no ar, e aterre perfeitamente no próximo trecho de trilho para não perder o embalo.

Conforme o ritmo aumenta, o jogo exige que você reaja ao cenário rapidamente para alternar entre os trilhos, desviar de obstáculos e usar os elementos do mapa a seu favor, criando um ciclo mecânico viciante onde a pontuação e a velocidade sobem junto com a sua habilidade nos comandos.
A sensação da coisa é uma das grandes sacadas de Denshattack! para mim: você realmente é contagiado pelo flow e, quando se dá conta, está completamente imerso em tudo aquilo que acontece a toda velocidade diante dos seus olhos. É um negócio mágico, que te faz querer mandar as manobras mais cabulosas e ir atrás dos desafios. Quanto mais você se entrosa com a jogabilidade, mais quer colocar em prova o que aprendeu, e, quando vê, está tentando bater recorde atrás de recorde e — dependendo da obsessão — não se perdoando por perder o timing de uma manobra que na sua cabeça teria sido o “crème de la crème”.

A trilha sonora é fantástica, cheia de energia, com faixas tão empolgantes que é quase impossível jogar sem colocar o volume no máximo. Inclusive, estou cogitando comprar a soundtrack para continuar curtindo enquanto não estiver jogando.
O jogo é visualmente muito vibrante, dinâmico e cheio de estilo, combinando perfeitamente com a sua proposta. No entanto, essa explosão de luzes, cores e elementos piscando a todo vapor na tela cobram o seu preço. Os estímulos visuais são tão intensos que, no meu caso, após cerca de uma hora e meia de jogatina contínua, a fadiga ocular começa a me incomodar. Se eu não parar por um período, é dor de cabeça na certa. É o tipo de jogo lindo de se ver, mas que exige pausas generosas entre as sessões para continuar aproveitando a experiência sem desconforto, caso você tenha a vista mais sensível como a minha.

Denshattack! entrega uma jogabilidade viciante que diverte demais. A junção entre mecânicas precisas, uma estética cheia de personalidade e uma trilha sonora memorável faz do jogo uma experiência marcante para quem busca pura diversão e desafios muito satisfatórios.
Mais detalhes da minha experiência com o jogo estão no Joguindie Journal.
A cópia do jogo utilizada para essa review foi generosamente disponibilizada pela assessoria de imprensa da Undercoders, distribuidora do jogo, a qual agradeço pela confiança.
