Recentemente tive a oportunidade de finalmente jogar o clássico Rayman em sua versão de PlayStation 1, e já adianto que a experiência foi excessivamente desafiadora, mas verdadeiramente divertida. Por trás dos grandes olhos e da falta de membros do nosso protagonista, reside um dos jogos de plataforma mais punitivos que já joguei.

A sufocante progressão original
Jogar Rayman atualmente poderia ter sido um exercício de paciência se não fossem as atualizações de qualidade de vida da versão de aniversário de 30 anos. Estava acostumado com a fluidez de Rayman Origins e Legends, jogos em que o personagem é ágil e os erros são perdoados rapidamente. No original, a física é pesada, os saltos exigem uma precisão de pixels e o design dos níveis parece ter sido concebido por alguém que realmente queria que você aprendesse morrendo algumas muitas vezes.
A curva de dificuldade não é uma subida suave; é um paredão. Desde o início, o jogo te priva de habilidades básicas (como o soco ou o voo com o cabelo helicóptero), entregando-as aos poucos. Isso cria um senso de progressão interessante, mas também gera uma vulnerabilidade que pode ser sufocante. Sem as ferramentas certas, cada inimigo e cada espinho se tornam obstáculos monumentais.

Parabéns para a edição de 30 anos
Se eu tivesse jogado a versão original de PlayStation 1 sem nenhum auxílio, é muito provável que eu não fosse capaz de escrever esta análise. O jogo teria me vencido pelo cansaço. Felizmente, a versão de aniversário de 30 anos inclui opções que deixam a experiência mais justa, na minha opinião.
O recurso de rewind (retroceder) é, sem exagero, um divisor de águas. Em um jogo em que um erro milimétrico te joga de volta ao início de uma seção longa e árdua, poder voltar alguns segundos para entender o erro é pedagógico. Ele retira a camada de frustração e mantém o foco no aprendizado da mecânica. Você ainda precisa executar o pulo difícil, mas não é mais punido com a perda de vários minutos de progresso por um deslize nervoso, por exemplo. Se você busca uma experiência mais casual e quer apenas apreciar o design e o ritmo do jogo, assim como eu, esses recursos são indispensáveis.

Atualizações de qualidade de vida
Um dos aspectos mais infames de Rayman é a obrigatoriedade de coletar todas as gaiolas de electoons para acessar o nível final e enfrentar o Mr. Dark. Chegando ao penúltimo nível, me vi diante dessa barreira. É uma escolha de design que, honestamente, não envelheceu bem. Forçar o jogador a um backtracking total para completar o jogo beira o masoquismo, especialmente considerando o quão bem escondidas algumas dessas gaiolas estão.
As opções de qualidade de vida desta edição de aniversário de 30 anos realmente me salvaram. O recurso que permite desbloquear o último nível sem a necessidade da coleta total foi o que me permitiu ver os créditos subirem. Poder terminar no meu próprio ritmo, focando no que eu queria e não em uma lista de tarefas, tornou a experiência muito mais agradável para mim.

Divertido para todos
Minha base foi a versão de PlayStation 1, mas pretendo dar uma olhada no protótipo original para entender como as ideias foram concebidas antes de se tornarem o produto final. A versão de MS-DOS também é um ponto de interesse, embora, após zerar a versão de PlayStation, eu não sinta a necessidade de uma nova jornada completa por lá. É fascinante ver como pequenas diferenças na paleta de cores ou no tempo de resposta dos controles podem mudar a percepção de um clássico.
Se você for um purista que busca o desafio extremo, vá de peito aberto e prepare-se para sofrer. Mas, se você é mais como eu, que só quer apreciar a arte, o som e a história do jogo, com pouco tempo para frustrações desnecessárias, use e abuse dos recursos de retroceder e das facilidades modernas sem medo de ser feliz.

Embora Rayman seja um bom jogo de plataforma, sendo honesto, o gênero evoluiu muito. Existem títulos atualmente que oferecem recompensas mais satisfatórias com menos “castigo”. Ainda assim, caminhar pela The Dream Forest ou saltar pelas notas musicais de Band Land é uma experiência que todo fã de plataforma deveria ter ao menos uma vez na vida.
Mais detalhes da minha experiência com o jogo estão no Joguindie Journal.
A cópia do jogo utilizada para essa review foi generosamente disponibilizada pela assessoria de imprensa da Ubisoft, desenvolvedora e distribuidora do jogo, a qual agradeço pela confiança.

