MOUSE: P.I. For Hire é um jogo de tiro chamativo, mas desprentensioso demais – Review

Apesar de brilhar em seus aspectos técnicos, MOUSE: P.I. For Hire peca por sua despretensiosidade no desenrolar da jogatina.


Alguns jogos me ganham puramente pela estética, e preciso destacar isso porque foi o que mais me chamou atenção em MOUSE: P.I. For Hire. Desde o início, os materiais de divulgação desse shooter em primeira pessoa souberam exatamente como fisgar minha atenção. O impacto visual foi tamanho que me fez querer muito jogá-lo, superando até mesmo a minha falta de inclinação natural pelo gênero de tiro.

Um desenho animado em primeira pessoa – Screenshot: PS5/Joguindie

MOUSE: P.I. For Hire é inspirado nos desenhos animados clássicos da década de 1930, o que logo entrega a estética característica daquela era — incluindo o charmoso visual em preto e branco. Essa atmosfera noir ganha vida em Mouseburg, uma cidade corrompida por gangues de ratos, políticos desonestos e outros aspectos delicados… o que fascina é ver como a jogabilidade abraça a violência e o ritmo frenético daquela era da animação: as armas — que vão desde revólveres clássicos e metralhadoras, até dinamites e armas absurdas — repletas do exagero visual dos desenhos de borracha (rubber hose animation), fazendo inimigos derreterem ou explodirem.

No controle de Jack, você assume o papel de um detetive particular veterano, durão e de poucas palavras. Na pele desse rato astuto que conhece cada canto obscuro e corrupto de Mouseburg, o desafio é duplo: desvendar pistas da história e sobreviver à crescente violência. Embora você seja um detetive, em MOUSE: P.I. For Hire sua principal função é atirar. Quase tudo que se move precisa ser derrubado na bala. A dinâmica do jogo segue um ciclo bem definido: você descobre uma pista corrupta, vai até o local, mete bala na galera de índole ruim e coleta os elementos necessários para avançar na história. Isso, consequentemente, desbloqueia novas áreas com desafios de tiroteio ainda maiores — e, aparentemente, o fluxo segue assim até o fim.

Conhecendo Mouseburg – Screenshot: PS5/Joguindie

No que diz respeito à mecânica de tiro, quem já conhece o gênero não encontrará nenhum grande desafio. O jogo entrega exatamente a dinâmica padrão de um shooter, com cada aspecto praticamente moldado apenas para se adequar ao jogo. O que realmente me incomodou foi a falta de feeling: o ato de atirar carece de impacto e feedback. Você não sente o “peso do tiro” dado. Embora isso possa ser uma consequência direta da própria natureza cartunesca do jogo, muitas vezes não havia prazer em derrubar os inimigos, pois a sensação geral para mim era plástica demais.

MOUSE: P.I. For Hire é um jogo honesto; em nenhum momento ele me vendeu algo que não é. Ainda que eu tenha as ressalvas que pontuei, ele entrega exatamente o que propõe, e entrega muito bem. A verdade é que não consegui criar um vínculo com ele. Refletindo sobre isso, percebi que o motivo foi justamente o “mais do mesmo”, e a estética e a trilha sonora impecáveis que me atraíram bastante, não foram suficientes para me prender. Em algumas sessões, eu sentia que já nem estava mais acompanhando a história, pois ela simplesmente não me atraía mais.

Na falta de munição, a gente atira com o que tem! – Screenshot: PS5/Joguindie

O jogo entrega uma experiência redonda, sem aquela sensação de algo feito às pressas. Você consegue visualizar cada particularidade do título com muita clareza e entende perfeitamente quais são os seus limites. Gostei bastante da progressão; as possibilidades foram se abrindo em um ritmo bom conforme eu avançava. Isso foi ótimo, pois sem muita enrolação, meu arsenal logo ficou bem interessante. Intercalar entre os diferentes tipos de armamento dependendo das condições do confronto era muito legal, apesar de eu não sentir uma vantagem tática tão expressiva entre eles, no que diz respeito ao impacto efetivo durante os confrontos.

Jack Pepper – Screenshot: PS5/Joguindie

MOUSE: P.I. For Hire é um jogo atrativo em diversos aspectos técnicos e entrega uma diversão descontraída, sem amarras, onde você praticamente sai por aí, atira, descansa um pouco, atira mais um pouco, descobre umas coisas loucas e pronto. Não é um jogo ruim, mas considerando o meu momento atual e para o tipo de expectativa que eu tinha, ele não me divertiu o tanto que eu gostaria.

Nota de transparência: não cheguei a zerar o jogo; optei por suspender a jogatina por tempo indeterminado. Ainda assim, dediquei mais de 10 horas, o que considerando a estimativa total da campanha, significa que joguei o suficiente para ter uma opinião embasada, embora não necessariamente completa. Todo o histórico detalhado da minha jogatina foi registrado em: journal.joguindie.com/@jand/entry/mouse-p-i-for-hire.

A cópia do jogo utilizada para essa review foi generosamente disponibilizada pela assessoria de imprensa da PlaySide, distribuidora do jogo, a qual agradeço pela confiança.


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