Bramble: The Mountain King é perturbador, mas acolhedor – Review

Apesar de entrega uma aventura perturbadora, Bramble: The Mountain King é estranhamente acolhedor. Seu mundo fantástico inspirado no folclore nórdico praticamente agarra você pelas mãos.

Tempo de leitura: 4 minutos


As vezes tenho experiências com games difíceis de descrever, quando zerei Bramble: The Mountain King fiquei durante algum tempo refletindo sobre o que havia sentido. Esse jogo agarra você pelas mão de tal maneira que quando percebe, já está completamente vidrado pelo o seu mundo fantástico.

Sobre um menino chamado Olle, cujos acontecimentos o levam a procurar por sua irmã, Lillemor. A partir da janela do seu quarto, você salta em uma inusitada floresta onde o dia geralmente é alegre, e a noite é um mistério. Conforme você avança caminhando pela floresta, as coisas vão sendo melhor esclarecidas, mas algumas respostas são deixadas para a sua interpretação. Você não está sozinho, há criaturas diversas, algumas boas, outras nem tanto.

O olhar de Olle – Screenshot: PS5/Joguindie

Como a estória de Bramble: The Mountain King é inspirada no folclore nórdico, imagino que se você estiver familiarizado com o mesmo, ficará ainda mais imerso pela incrível representação de alguns acontecimentos, mas não é necessário conhecimentos prévios, o jogo tem um desenrolar de estória bem executado, você entende os acontecimentos enquanto estão ocorrendo, e o poder da narração se faz bastante presente durante toda a aventura.

Sou o tipo de jogador mais disperso, acabo deixando passar algumas coisas, mas mesmo assim, consegui entender perfeitamente a estória até onde é construída com esse intuito, já que existem detalhes que são deixados para o interpretativo.

Esse é o tipo de jogo que preciso ser cauteloso ao comentar da sua estória, afinal é importante manter você blindado de spoilers para que a sua experiência seja excepcional. O terror é um forte aliado dessa experiência, sendo você uma criança em terras desconhecidas, uma tensão é constantemente alimentada pelo desconhecido.

Os irmãos – Screenshot: PS5/Joguindie

Você não sabe o que essa aventura para encontrar a sua irmã reserva, então cada passo dado pode ser um motivo para temer. Bramble: The Mountain King provoca um mix de sentimentos, e é incrível a forma que eles penetram em você, deixando a sua respiração ofegante, e seu senso de sobrevivência em alerta. Ao mesmo tempo que você quer continuar seguindo em frente, quer parar por um momento, apenas para respirar.

A estória prendeu a minha atenção do começo ao fim, tanto que finalizei o jogo em uma sessão. Um pouco depois da metade para o final, a tensão do jogo foi escalando mais, e essa mudança acabou me deixando menos motivado a seguir em frente, mas não em decorrência de uma queda de qualidade, só era difícil lidar com o pesar dos acontecimentos. A prova do quão imerso fiquei em Bramble: The Mountain King.

A mão iluminada – Screenshot: PS5/Joguindie

Controlar Olle é simples e intuitivo, você basicamente caminha e pula, e quando houver a necessidade, faz algumas ações tão simplificadas quanto. Jogos como Bramble: The Mountain King apostam mais na experiência, deixando a jogabilidade, de certo modo, engessada.

À medida que os desafios foram exigindo mais interação, os controles responderam bem dentro das suas limitações. Durante os combates contra chefes, por exemplo, quando era preciso desviar e preparar um ataque, a resposta de Olle para os seus comandos foi imediata, sem parecer desengonçada ou fora de timing, assim passando boa parte da responsabilidade de fracassos para você, ao invés do jogo.

Espada de luz – Screenshot: PS5/Joguindie

A ambientação de Bramble: The Mountain King é magnífica, você se sente realmente transportado para aquela realidade fantástica. A quantidade de detalhes em cada cenário é impressionante, e nem digo de um aspecto gráfico, mas artístico mesmo. Durante a jogatina, a sensação era de que alguém habilidoso estava de longe filmando Olle meticulosamente. O resultado desse “trabalho de filmagem” é digno de grandes produções de cinema.

Os sons e trilha sonora desse jogo são impecáveis, sabem precisamente quando e como percorrer pelos os seus tímpanos, enriquecendo ainda mais a experiência. Joguei no PS5 com aquele fone que suporta áudio 3D, e apesar de não ter os efeitos de áudio tridimensionais mais impressionantes, contribuiu um bocado na imersão.

A luz – Screenshot: PS5/Joguindie

Ainda é difícil expressar com clareza o meu sentimento com Bramble: The Mountain King… a minha experiência foi inquietante, mas estranhamente acolhedora. Sem saber o que esperar, me deixei levar pelos fascínios tanto da luz quanto da escuridão desse mundo fantástico, e talvez por conta do que encontrei nos dois extremos, senti que fui verdadeiramente recompensado pelo que Bramble: The Mountain King proporcionou.

A cópia do jogo utilizada para essa review foi generosamente disponibilizada pela assessoria de imprensa da Merge Games, distribuidora do jogo, a qual agradeço pela confiança.

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