Introdução aos Jogos Indie

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O nicho de jogos indie atualmente é um dos mais criativos e inovadores dentro da indústria de jogos. O termo “indie“, utilizado em mídias cuja maior característica é ser especificamente diferente do “mainstream“, teve seu reconhecimento dentro da indústria de jogos graças aos esforços de desenvolvedores empenhados em criar cada vez mais jogos distantes do comum.

Muitas vezes os jogos são uma mídia de entretenimento estritamente polida para as massas. Um jogo indie prevalece estereótipos com algo mais específico de acordo com a personalidade dos envolvidos no seu desenvolvimento.

Alguns personagens de jogos indie memoráveis.
Alguns personagens de jogos indie memoráveis.

Para entender melhor os jogos indie é necessário compreender como funciona o desenvolvimento independente de jogos, que nada mais é do que um processo de criação desprovido de suporte financeiro, principalmente de uma publicadora.

O desenvolvimento independente naturalmente ocorre por uma única pessoa ou pequena equipe sem quaisquer garantias, correndo diversos tipos de risco.

Seu grande diferencial é a crescente relação íntima entre as partes (desenvolvedor e criação). A relação criada entre ambos alcança patamares elevados de afinidade, suficientes para despertar sensações mais humanas naqueles que jogam sua criação.

Se você não vê uma vulnerabilidade em alguém, você provavelmente não está se relacionando com aquela pessoa em um nível pessoal o bastante. – Jonathan Blow

Fragmentos da personalidade dos envolvidos no desenvolvimento são deixados em cada pedacinho do jogo através da inevitável aproximação, gerando um conceito incomparável. — Nem sempre um jogo que se encaixa no termo “indie” terá tais peculiaridades, mas é natural tamanho envolvimento na cena indie.

Traços da personalidade de Edmund McMillen estão em todas as suas criações.

É preciso fortalecer que o termo “indie” não tem nada de especial, sendo apenas uma mera abreviação de “independent” (em Português, independente). Mesmo um jogo indie pode ser uma experiência frustrante. Foi a ousadia de incríveis desenvolvedores espalhados pelo mundo que revolucionou o termo “indie” dentro da indústria de jogos.

As experiências e conceitos transmitidos pelos jogos indie são diversas, então cedo ou tarde um indie será profundo para você.

Agora mergulhe dentro do cenário independente. 😀

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Um cara de vinte e poucos anos apaixonado pelas coisas pequenas da vida. Desenvolvedor e ascendente escritor. É editor no Joguindie, seu maior xodó. Sua vida é repleta de coisas para fazer, pouco tempo para si, muito trabalho árduo e determinação. Gosta de jogar, ouvir músicas, ler quadrinhos, assistir filmes e animes, comer salgadinho, beber refrigerante, ficar em casa, e tantas outras coisas simples, mas valiosas para sua vida.

13 Comentários

  1. Muito bom =) mas acho que realmente o que difere o indie é o fato do investimento financeiro no projeto, enquanto ainda for financiado pela comunidade, independente de ter milhõe$ envolvido, ainda assim é indie.
    Passará de ser indie quando o estudio possuir uma receita que consiga manter e promover o game desenvolvido sem recorrer a financiamentos

    • Concordo em partes… gosto de imaginar a cena indie como pessoas lutando por seus sonhos através do desenvolvimento de jogos.

      Não diria que investimento define um jogo como indie porque jogos como Journey, Hohokum e Bastion (além de muitos outros), por exemplo, são publicados por grandes empresas, e nem por isso são menos indies ao meu ver.

      • Mas se deixarmos a definição aberta para este lado mais lúdico e menos mensurável, um tanto quanto poético até ai não teríamos uma divisão muito clara entre indie e não indie, pois então a equipe que desenvolve um jogo mainstream tmb pode ter sua parcela indie, se não todo, os criadores do jogo estão da mesma forma colocando seus sonhos através dos jogos.

        Se formos levar pelo lado passional, todo game é indie, pq sempre teremos pessoas envolvidas no projeto que fizeram o jogo com amor, antes mesmo de pensar em dinheiro por exemplo.

        • Entendo o que diz, mas será mesmo que existe uma divisão de “indie” e “não indie” para as pessoas? Digo isso porque atualmente o termo “indie” tem sido mais peça publicitária do que a realidade dos desenvolvedores.

          Qualquer um pode ser indie hoje em dia, basta se rotular… Há muito desenvolvedor com anos de experiência e aparentemente dinheiro criando sua empresa agora e colocando “A Independent Game Studio” na descrição. Deveríamos descartar este estúdio só porque ele está vindo de gente grande? Na minha opinião não, porque pelo menos para mim, atualmente não vejo mais indies como jogos exclusivamente de garagem, de pessoas sem um tostão.

          Há espaço para todos serem indie, desde que tragam experiências condizentes com a “revolução” dos indie dentro da indústria, e olha que nem tanto as vezes é necessário.

          É meio que uma realidade universal do termo “indie” em outras mídias também como cinema e música, por exemplo. Você deixaria de considerar The Strokes, uma banda rotulada e aceita como “indie rock” só por causa do dinheiro dos integrantes?

          • Poderíamos passar horas e horas tentando determinar o que é realmente um game indie hoje em dia, o problema é que a facilidade como estes jogos e músicas são distribuídos para a grande massa que compõe a internet, fica realmente difícil traçar um limiar muito claro entre indie e não indie.
            No fim das contas é tudo música e é tudo game ^^

  2. Ótimo texto! Fico meio chateado quando tento dialogar com alguma pessoa que curte games sobre por exemplo, Botanicula, e não tem ideia do que estou falando. Uma das coisas mais importantes pra mim sobre os indies é a dedicação empenhada, a capricho na História ou Cenário, mesmo que isso não seja notado pelo jogador, mas é uma realização dos autores. É claro que quando esses “detalhes” veem a tona eles se sentem mais realizados.

    Continue com o bom trabalho! Quem sabe em breve uma lista de indies para compra? hahaha

    Ps: Na espera do Músindie 2, não demore! hahaha

    • Ainda é complicado falar de indie para as pessoas por que o termo muitas vezes parece um bicho de sete cabeças, quando na verdade não passa de uma maneira de deixar nichos organizados.

      Muito obrigado pelas sugestões e por nos acompanhar. 🙂

      PS: Farei o possível para trazê-lo o quanto antes, mas já temos um cronograma. 😛

  3. Excelente texto introdutório, amigo! Certamente este pode ser uma bela porta de entrada pra que curiosos conheçam esses games tão bacanas.

    Na minha opinião o conceito de jogo independente é um pouco – só um pouco – diferente do que você define. Um jogo independente é tão somente um jogo no qual seu desenvolvedor ou equipe de desenvolvimento não dependeu de uma publisher para criar seu projeto e lançá-lo ao mercado. Por mais que existam jogos como Bastion e Journey (que tiveram a ajuda respectivamente da Warner e da Sony apenas para vendê-los) ou do jogo brasileiro Toren (que recebeu auxílio do Governo Federal), nenhuma dessas entidades – publisher e Governo – se meteu no processo criativo do jogo e elas se limitaram a oferecer os recursos que seus criadores necessitavam (e no caso de Toren, exigir prestação de contas. Afinal foi parte do nosso imposto que foi pras mãos deles).

    Assim sendo, creio que independência na criação de um jogo não seja apenas uma questão de dinheiro, mas também do lado criativo do jogo: não há ninguém enchendo o saco do dev ou da equipe dizendo o que eles devem ou não fazer para maximizar a obtenção de lucros ou satisfazer os sonhos molhados de um punhado de acionistas. Os devs simplesmente fazem o que desejam fazer – e é justamente isso que desperta a paixão e a criatividade tão comuns nesses jogos.

    Ao meu ver, o erro na percepção que muitos têm do cenário independente é acharem que é obrigatório um desenvolvedor ser alguém mega profundo, exorbitantemente criativo ou imprimir detalhes de sua vida em todo projeto que faz. Por mais que a história de Edmund McMillen seja muito bonita, não é isso que o torna um desenvolvedor independente, mas poucos enxergam isso e acham que ser um desenvolvedor indie é um “estilo de vida” ou algo que o valha.

    Um jogo independente pode ser tão simples quanto os anseios de seu desenvolvedor e não há nada de errado nisso: Daisuke Amaya não queria revolucionar a indústria de games, era apenas um assalariado pai de família que de repente quis fazer um jogo – Cave Story, como bem sabemos – descrevendo-o simplesmente como “um jogo onde você pula e atira”. Os desenvolvedores do jogo Strafe (strafe1996. com) também não tiveram nenhuma grande pretensão e apenas queriam fazer um first person shooter divertido como os jogos de antigamente, com um diferencial em suas mecânicas de jogo. E nenhum desses caras é “menos indie” do que um Johnathan Blow da vida.

    Novamente, parabéns pelo excelente texto. ^^

    • Consegue transmitir bem sua visão dos jogos indie. Esplêndido! 😀

      Quanto a percepção das pessoas com o cenário independente, acho que é por conta de mídias como o Indie Game: The Movie, por exemplo, que por melhor que fosse suas intenções, demonstrou para as pessoas um lado mastigado e bonito dos desenvolvedores.

      Quando escolhi Edmund McMillen para ilustrar seus sentimentos dentro das suas criações, pensei nisso como um incentivo para as pessoas que querem fazer jogos transmitirem um pouco dos seus próprios sentimentos para o próximo, e meio que criar um elo mágico (por quê não?) com o jogador.

      A realidade dos desenvolvedores nunca foi e provavelmente nunca será um filme, mas com certeza suas superações sim, e por mais que a poesia esteja nas minhas palavras, e justamente isso que me faz gostar mais e mais dos indies. Eu quero falar coisas bonitas sobre eles, porque assim sinto que as pessoas se sentirão mais encorajadas com os jogos indie.

      Poesia ou não, os jogos indie tem esse sentimento puro, e eu acho que enquanto tiverem isso, serão indies para mim. Acredito que não se trata de definição, mas de envolvimento e compreensão.

      Obrigado pelo incrível feedback Gian, não deixe de aparecer mais vezes por aqui e soltar coisas reflexivas assim. 😉

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