Um pouco sobre a história dos jogos indie

Um pouco da história dos jogos indie

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Os jogos indie dispensam apresentações, mas sua história reserva muitas coisas interessantes relacionadas ao nicho. No texto Introdução aos Jogos Indie publicado aqui no Joguindie você confere mais sobre os princípios que definem um jogo indie.

Até onde se sabe, tudo começou no PC na década de 90, quando DOS era o que havia de mais moderno em termos operacionais. As primeiras práticas de divulgação dos jogos indie ocorreu no modelo shareware, já que assim os desenvolvedores poderiam oferecer parte do seu jogo de “graça” para qualquer um jogar de imediato, mas de forma semelhante a um“Insert Coin” para continuar.

Ainda na década de 90, muitos motores de jogo (game engine) estavam nascendo, e isso instigou uma legião de pessoas a desenvolver jogos por hobby, porém outras enxergavam infinitas possibilidades nas ferramentas existentes e tentavam levar suas criações muito além. Embora a quantidade de motores de jogo disponíveis fosse razoável, pouquíssimas realmente caíram no gosto popular. Os motores de jogo ZZT, RPGMaker, Clickteam e Game Maker, são alguns dos que tiveram maior destaque entre os demais, se popularizaram e consequentemente fragmentavam a comunidade que nascia a partir da propagação dos mesmos.

Os primeiros jogos indie da história foram feitos com o motor de jogo ZZT.
Os primeiros jogos indie da história foram feitos com o motor de jogo ZZT.

Logo o interesse pelo desenvolvimento de jogos crescia cada vez mais, comunidades foram nascendo e crescendo. Desenvolver jogos deixava de ser um desafio impossível e se transformava em uma realidade que em seus primórdios era de garagem. Qualquer um poderia fazer seu jogo desde que tivesse muito tempo livre para estudar e praticar. Com ajuda dos motores de jogo e suas crescentes comunidades era possível ter grandes resultados a curto prazo.

A existência dos motores de jogo teve e tem sua importância até os dias de hoje, mas não foi responsável por grandes criações, este mérito sempre foi e sempre será do nível de conhecimento dos envolvidos no processo de desenvolvimento. Apesar da enxurrada de jogos criados com os motores de jogo existente, muitos não passavam de experimentos sem expectativas.

No final da década de 90, em 1998, foi fundado o Independent Games Festival (IGF), e como o próprio nome sugere, é um festival de jogos independentes. Criado para ajudar e incentivar a inovação no desenvolvimento de jogos, e também reconhecer os melhores desenvolvedores pela sua notável contribuição para a indústria. O IGF alcançou notoriedade em meados de 2000, e atualmente é considerado a premiação máxima que um desenvolvedor independente pode conquistar. Você pode conhecer os principais festivais de jogos independentes do mundo aqui.

O reconhecimento!
O reconhecimento!

Em tempos de expansão, tanto de computadores como internet, os jogos indie demonstravam aos poucos seu valor dentro da indústria. O IGF havia mudado o futuro incerto de muitos desenvolvedores e demonstrado para eles que era possível ser reconhecido. Uma série de eventos positivos foram acontecendo na cena indie, e os primeiros sucessos comerciais mostravam que o desenvolvimento independente poderia proporcionar muitas realizações, inclusive financeira, caso fosse bem recebido pelo público e crítica.

Com o avanço da distribuição digital ficou mais evidente o potencial comercial dos jogos indie. Sem publicadoras, os desenvolvedores tinham liberdade para escolher os meios de distribuição do seu jogo, e como o varejo era pouco acessível, os meios digitais ganharam força. Qualquer um poderia comprar e baixar um jogo rapidamente em plataformas de distribuição digital como Steam (PC), XBLIG (Xbox 360), Wii Ware (Wii), PSN (PS3), e tantas outras que começaram a surgir em seguida.

Vida longa ao Steam!
Vida longa ao Steam!

Os primeiros sucessos comerciais não demoraram para aparecer, jogos como Uplink (2001), Castle Crashers (2008), Braid (2008), World of Goo (2008), Minecraft (2009) são clássicos exemplos de jogos indie comercialmente bem sucedido. O sucesso comercial nem sempre determinava a qualidade de um jogo indie, mas atraía holofotes, e tornava possível números impressionantes de vendas com lucro considerável, afinal uma outra característica de ser indie é o modesto orçamento, imagine faturamento de 10 milhões de dólares divido entre uma equipe de apenas 5 pessoas, dar um bom dinheiro para cada, não é mesmo? Mas vale lembrar que é uma especulação baseada em alguns cases de sucesso.

Apesar dos números e a falsa promessa de sucesso, o desenvolvimento independente requer esforços descomunais da parte dos envolvidos. Imagine largar seu confortável emprego por uns 3 anos, tempo que segundo você, será necessário para produzir algo de qualidade, aí depois descobre que precisa de mais uns 2 anos, totalizando 5 anos. Quem está bancando seus custos de vida? Seu nível de aprendizagem é suficiente para continuar o projeto? Você teve apoio financeiro? E um dos questionamentos mais complexos de todos… será que seu jogo será bem recebido pelo público como um produto? A quantidade de questionamentos é absurda, há muita rocha pelo caminho, e será necessário esforços nunca imaginados e punhos de aço para derrubá-las.

A realidade de um desenvolvedor independente muitas vezes é mais difícil do que parece.
A realidade de um desenvolvedor independente muitas vezes é mais difícil do que parece.

Apesar das dificuldades, as chances de ser recompensado existem, e podem surpreender. Dedicar suor na criação de um jogo indie é uma aposta incerta repleta de cases inspiradores, mas ainda sim um desafio que pode mudar a vida de muita gente, não apenas dos envolvidos no processo de criação.

Os jogos indie fincaram raízes dentro da indústria de jogos provando seu valor ao tocar corações. Através dos jogos indie não só foi possível perceber os sentimentos que existem no interior de cada um de nós, como também entender o valor do entretenimento e seu impacto em nossas vidas. A forma como alguns desenvolvedores conseguiram explorar suas próprias fragilidades e colocá-las dentro dos jogos fez muitas pessoas enxergarem além do fator diversão, e refletir sobre aquele conjunto de elementos sinceros sendo transmitido dentro de uma proposta jogável.

O passado dos jogos indie ficou na sua história. Atualmente os jogos indie tem notoriedade e espaço dentro da indústria, ainda que muitos precisem lutar pela atenção do público e mídia. Considere sempre apoiar um jogo indie, geralmente faz bem para o coração. <3

Um cara de vinte e poucos anos apaixonado pelas coisas pequenas da vida. É editor no Joguindie, seu maior xodó. Ascendente escritor, desenvolvedor e empreendedor. Sua vida é repleta de coisas para fazer, pouco tempo para si, muito trabalho duro e determinação. Gosta de jogar, ouvir músicas, ler quadrinhos, assistir filmes e animes, comer salgadinho, beber refrigerante de limão, ficar em casa, e tantas outras coisas simples, mas valiosas para sua vida.

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