The Flame in the Flood

[Análise] Sobreviver é o lema de The Flame in the Flood

em Análises/Console/Jogos Indie/PC por

Desenvolvedores veteranos se reúnem para criar algo mais singular comparado aos seus trabalhos anteriores, e assim é concebido The Flame in the Flood, um roguelite situado em uma América devastada onde você deve lutar pela sobrevivência.

Sem situar você em acontecimento algum, o jogo começa quando o seu fiel companheiro canino chega com a bolsa que será utilizada como inventário. Até existe um desenrolar das coisas, explorando você acaba descobrindo, portanto preocupe-se em sobreviver.

O jogo coloca você mais ou menos em uma situação de sobrevivência próxima da realidade para estimular aquela experiência de afinco. A fome, sede, temperatura corporal e fadiga são as suas necessidades básicas, conseguir manter cada uma estável será um dos grandes desafios a serem constantemente encarados.

Não tem moleza em The Flame in the Flood, e a cada distância percorrida, algo pode tomar a sua vida, dependerá do quão preparado você estiver. O preparo é algo de extrema importância por causa das condições de tudo ao seu redor. Para começar, você está em uma jangada meia boca que só vai conseguir ser lá grande coisa depois de muitos aprimoramentos, então durante sua passagem pelas águas imprevisíveis tudo pode acontecer. Em terra firme as condições são ainda mais imprevisíveis, deixando você sujeito a ataques devastadores de feras.

The Flame in the Flood: Sorrateiro, esperando o melhor momento para saltar em sua direção.
Sorrateiro, esperando o melhor momento para saltar em sua direção.

O incentivo a exploração existe devido a necessidade, os itens costumam ter relevância ao ponto de você precisar ariscar a sua vida por eles. Os itens podem ser encontrados em vários lugares, mas costumam estar organizados por localização, sendo necessário ir até ilhas de tipo especifico para aumentar as chances de encontrar o item que está procurando.

Os itens encontrados geralmente são como peças a serem encaixadas em uma receita que depois de concluída gera um item com propriedades mais eficazes, uma prática recorrente em jogos de sobrevivência do gênero sandbox.

O jogo sabe como despertar uma boa sensação de sobrevivência ao trazer os efeitos das condições extremas. É tudo muito incerto e sem atalhos, você deverá realmente viver para aprender. O conceito de geração aleatória é o principal responsável por isso, enriquecendo a experiência ao gerar possibilidades variadas.

A dificuldade do jogo é perversa, porém é estipulada de acordo com o seu nível de aprendizagem. Quando começa você acaba morrendo rápido e aprendendo pouco, depois de algum tempo de tentativa e erro vai aprendendo a se tornar um sobrevivente.

The Flame in the Flood: Como veículos foram parar em ilhas ainda é um mistério, mas alguns são um abrigo e tanto.
Como veículos foram parar em ilhas ainda é um mistério, mas alguns são um abrigo e tanto.

Não demora muito para a sensação de repetição pairar, as gerações aleatórios até possuem alguns disfarces conforme você progride no jogo, mas você acabará sempre fazendo as mesmas coisas. O mais incrível é que a repetição não chega a comprometer a experiência, The Flame in the Flood tem um conceito divertido o suficiente para esconder algumas das suas principais deficiências.

A jogabilidade, pelo menos na versão de PlayStation 4, é um tanto complicada. Você passará alguns sufocos de adaptação, e mesmo depois desse processo, sentirá uma sensação de estranheza. Os próprios itens rápidos que deveriam facilitar a vida, requerem ações do controle para mostrar o inventário, escolher a categoria, e selecionar o item para finalmente poder utilizá-lo. Em um jogo de ações lentas que na maioria das vezes devem ser planejadas com antecedência, falta engenhosidade nos controles.

O trabalho artístico tem chamativo estilo sombrio que remete bem aos acontecimentos catastróficos, e o seu lado contemplativo é de um jeito desolado e ao mesmo tempo inquietante, dando propriedades para o que se passa. Que trilha sonora!… As composições de Chuck Ragan são de uma compressão incrível das condições adversas, e muito se deve as experiências reais que o compositor teve durante o seu próprio contato com a natureza.

The Flame in the Flood é um jogo para você se aventurar em tentativas de sobrevivência sempre seguindo em frente. Sobreviver, um dia de cada vez, é divertido.

Um cara de vinte e poucos anos apaixonado pelas coisas pequenas da vida. Desenvolvedor e ascendente escritor. É editor no Joguindie, seu maior xodó. Sua vida é repleta de coisas para fazer, pouco tempo para si, muito trabalho árduo e determinação. Gosta de jogar, ouvir músicas, ler quadrinhos, assistir filmes e animes, comer salgadinho, beber refrigerante, ficar em casa, e tantas outras coisas simples, mas valiosas para sua vida.

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