Stories Untold

[Análise] Stories Untold – Nostalgia e Experimentalismo

em Análises/Jogos Indie/PC por

Sou uma grande fã de adventures e uma entusiasta da ficção interativa: acredito no potencial das palavras serem capazes de transmitir ideias e emoções de maneiras que milhões de pixels não são capazes.

Por isso, Stories Untold chamou a minha atenção ao se descrever como “uma compilação de quatro histórias experimentais de aventuras de texto”. A ambientação retrô, com imagens de aparelhos da década de oitenta, logo nos remete a “Stranger Things”.

São quatro episódios interconectados, cada um com seu próprio estilo. Os três primeiros são pequenas cenas cheias de mistério e suspense, com desafios interessantes e que envolvem maneiras pouco usuais de interação: é necessário analisar as informações, brincar com a interface e perceber a narrativa que se desenvolve de maneiras inesperadas. Esses episódios carregam com orgulho o adjetivo de “experimental”, subvertendo as expectativas que temos sobre esses jogos.

Se o jogo acabasse no terceiro episódio, eu o recomendaria para quem aprecia jogos do gênero. É um jogo curto, com menos de cinco horas de duração, mas que tem um preço compatível.

No entanto, ele não acaba no terceiro episódio, e é no quarto que se encontram os mais sérios problemas do jogo: problemas gravíssimos de desempenho (e que infelizmente afetaram muitas pessoas a julgar pelos inúmeros tópicos nos fóruns de discussão do jogo na Steam) que me fizeram assistir aos últimos quinze minutos do jogo no Youtube porque estava impraticável jogar a menos de 10 fps e, embora o desfecho da história seja menos do que satisfatório para quem é um ávido leitor (e eu imagino que muitos que se interessam por jogos de texto o sejam), ele poderia ao menos ser aceitável se o jogo não te fizesse trilhar todo o desfecho da história quando não há mais nenhum mistério a ser desvendado. Você sabe o que tem que fazer, e sabe o que vai acontecer. Há um motivo claro para isso ocorrer na narrativa, mas realizar as ações já sabendo quais serão as consequências torna-se um martírio. Novamente, há um motivo bastante claro para essa escolha, de modo que é possível concluir que essa foi uma decisão planejada e não simplesmente fruto de mal design, mas na prática o que ocorre é que a situação se torna um martírio pelos motivos errados.

Foi bastante difícil fazer esse breve comentário sobre o jogo porque, por um lado, eu admiro o que foi feito em termos de experimentos com a interface, de ambientação e de temas trabalhados. É o tipo de direção na qual eu espero e gostaria que mais jogos seguissem. Por outro, os graves problemas de desempenho e o desfecho aquém do restante dos episódios não me permitem simplesmente recomendar o jogo.

Mas, vinte reais não é muito dinheiro e eventualmente o jogo terá algum tipo de desconto, então talvez eu queira recomendar o jogo, mas com essas ressalvas…

Você pode se interessar pela viagem, mas esteja disposto a trilhar por estradas esburacadas e mal sinalizadas.

Cindy estuda Direito e quando não está exausta por causa da faculdade curte seus videojogos.

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