Pixel Privateers

[Análise] Pixel Privateers

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Pixel Privateers, segundo jogo da Quadro Delta, desenvolvedora de Pixel Piracy, um dos mais peculiares jogos de piratas já feito, se propõe a ser um RPG baseado em esquadrão tático com influência do “Loot ‘Em Up”, derivação de um gênero conhecido, mas focado no saqueamento de coisas.

A galáxia é um sistema gigantesco de bagagem impressionante que além de reservar uma infinidade de descobertas, abriga seres diversos. Você é só mais um, mas não um qualquer, afinal tem a capacidade de trilhar o seu próprio caminho. Por toda galáxia alguém ou algo tem uma história para contar, mas a sua é conduzida pelas suas escolhas.

A vida de comandante não é moleza

No comando de uma nave e sua tripulação de mercenários, através do painel do Mapa Galáctico, você tem acesso a todas as opções de gerenciamento do jogo. O gerenciamento de recursos é um fator bastante presente e importante em Pixel Privateers. Apesar da aparente complexidade devido a quantidade elevada de possibilidades, cada opção é intuitiva, sendo mais uma questão de adaptação mesmo.

Pixel Privateers: É a partir daqui que tudo acontece.
É a partir daqui que tudo acontece.

Uma das principais opções de gerenciamento é a de tripulantes, é através dela que você determina quem serão seus mercenários e suas características únicas. Os elementos de RPG estão em alta na construção do condicionamento dos personagens, no jogo há 5 classes (Vanguarda, Marinheiro, Escoteiro, Engenheiro e Médico) e habilidades (Força, Agilidade, Rapidez, Energia e Inteligência) diferentes, você é livre para escolher a classe que quiser desde que equipe a ferramenta respectiva, quanto as habilidades, a atribuição de pontos é permanente, portanto é interessante compreender quais habilidades são mais adequada para cada classe, mas só se for do seu interesse aprofundar os personagens em classes.

Cada classe tem um papel fundamental no jogo, especialmente por causa dos poderes únicos agregados. Um médico pode salvar a vida de um Vanguarda que está servindo de barricada e vice e versa. Basicamente as classes equilibram de forma inteligente o poder da sua tripulação desde que você saiba esquematizar uma estratégia, apenas contar com as melhores classes ao seu lado não é o suficiente, é preciso investir nelas através do Laboratório de Ciências, lugar onde poderes específicos podem ser escolhidos de acordo com o seu estilo de jogo, aí sim você terá uma experiência de combate realmente única.

Infinidade de planetas para explorar

Ainda no painel do Mapa Galáctico, você pode mover a sua nave até os planetas conforme a quantidade de gasolina disponível, inclusive há vários para serem explorados, e todos são diferentes devido ao algoritmo de geração procedural. Os planetas são diversificados em aspectos como biomas, estrutura e inimigos. A sensação de frescor ao pisar em cada planeta acaba desgastada com o tempo, mas a variação da construção dos mesmos é arquitetada de forma convincente. Cada planeta possui objetivos variados para serem completados, quando você completar as tarefas poderá escolher qual das 3 caixas de recompensas (itens, matéria e combustível) quer abrir.

Quase tudo tem um preço, e em Pixel Privateers o preço do saqueamento de cada dia são os combates contra quem ou o quê se opor no seu caminho. Os combates funcionam ao estilo tático de maneira quase toda manual, ou seja, as ações dos seus mercenários estão literalmente nas sua mãos. Comanda uma tripulação de mercenários não é nem um pouco fácil, o jogo até facilita com um bocado de atalhos rápidos no teclado (personalizáveis, inclusive), mas na prática, independente da sua preferência, seja teclado ou mouse, executar tantas ações para atos simples acaba sendo um pouco maçante. Logo ao pousar em um planeta você tem acesso ao painel de combate, ele é composto por opções estratégicas comuns, e outras que se adequam as características do mercenário em seleção. Sabe poderes únicos agregados a cada classe? Podem ser utilizados através desse painel.

Pixel Privateers: Em multijogador o jogo é praticamente o mesmo, todavia a diversão é multiplicada a cada amigo acrescentado.
Em multijogador o jogo é praticamente o mesmo, todavia a diversão é multiplicada a cada amigo acrescentado.

Apesar do conceito de comandos para quase tudo não ser lá muito intuitivo, os combates são muito divertidos. Como os combates costumam ocorre de maneira brusca, as vezes é difícil acompanhar o que está acontecendo com clareza para dar o comando correto ao mercenário certo, ocasionando frustrações diversas… um exemplo é quando você acaba esquecendo de dar o comando para alguém, e enquanto o resto da tripulação se mata, esse personagem está parado — quase imperceptível — assistindo o circo pegar fogo enquanto leva dano. Pelo menos a opção de pausar minimiza esse problema, possibilitando um olhar mais amplo de tudo que está acontecendo em tela, ainda permitindo antecipação de comandos.

É recompensador

A maior parte do seu esforço em Pixel Privateers é em detrimento de itens e recursos cada vez melhores. É inegável o quanto o conceito é divertido, porém a oferta é maior do que a demanda, e a experiência cedo ou tarde fica desgastada pela superficialidade das conquistas a longo prazo. Imagine você achando uma arma de raridade máxima que adorou, e aí, um planeta depois, sem ainda ter curtido direito a recente conquista, acha outra melhor. As conquistas acabam desvalorizadas, provocando sensação de desapego pelos itens e consequentemente pelo jogo. Talvez seja uma questão de gosto pelo gênero, mas não deixa de ser frustante.

Pixel Privateers: Manda mais que tá pouco!
Manda mais que tá pouco!

O visual em pixel único criado pela Quadro Delta em seu primeiro jogo está de volta, mas dessa vez menos quente e muito mais caprichado.

Que trilha sonora! É de tremenda qualidade e bom gosto. Você é transportado pelas canções que sustentam um empolgante espírito de aventura e até uma bagagem dramática. Se você quiser, pode apreciar um pouco do criação das músicas pelo vídeo por trás da música do jogo.

Goste ou não de ser recompensado, você será aos montes em Pixel Privateers, talvez nem sempre como gostaria, mas de um jeito honestamente divertido.

Um cara de vinte e poucos anos apaixonado pelas coisas pequenas da vida. É editor no Joguindie, seu maior xodó. Ascendente escritor, desenvolvedor e empreendedor. Sua vida é repleta de coisas para fazer, pouco tempo para si, muito trabalho duro e determinação. Gosta de jogar, ouvir músicas, ler quadrinhos, assistir filmes e animes, comer salgadinho, beber refrigerante de limão, ficar em casa, e tantas outras coisas simples, mas valiosas para sua vida.

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