[Análise] Qualquer um pode programar em Human Resource Machine

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Amante de programação, um jogo como Human Resource Machine não passaria despercebido, especialmente pelos envolvidos no desenvolvimento, anteriormente peças fundamentais de jogos como World of Goo e Little Inferno, ambos jogos indie que guardo no coração.

Human Resource Machine é como uma linguagem de programação nova planejada para ser incrivelmente simples e funcional, mas difícil de dominar. O estilo característico que só designers como Kyle Gabler e companhia poderiam criar é o grande jump dessa linguagem jogável.

No jogo você é um funcionário que deve programar produtividade em um escritório através da execução de comandos que possam automatizar e simplificar a partir de um script processos relativamente trabalhosos.

Pouca matemática, muita lógica.
Pouca matemática, muita lógica.

O conceito é simples, realize as tarefas requisitadas levando algo da entrada para saída, agora imagine a seguinte tarefa: ordene a palavra “JOGUINDIE” ignorando os números “0”, daí a ordem atual é: [J] [0] [0] [N] [I] [0] [D] [0] [0] [0] [O] [G] [U] [0] [I] [E], loucura não? Depende… porque seria bastante simples resolver esse problema caso existisse em Human Resource Machine. O grande mérito dos desafios está no nível de “complexidade” aparente do problema, e a solução evidente para o mesmo através das possibilidades disponíveis.

O modelo de programação é o típico WYSIWYG, e a mágica acontece quando você escreve arrasta o código, depois mandar rodar para depurar. O processo de programação é dos mais dinâmicos e permite uma variedade de comandos ao decorrer do jogo. A flexibilidade permite que você copie códigos de níveis anteriores e cole no atual de maneira fácil, especialmente por conta do esquema de abas no qual é possível preencher cada uma delas com uma série de comandos distintos e testá-los individualmente.

Fazer as coisas acontecem de maneira simples muita das vezes é difícil, e o mesmo vale para realizar as ações através dos comandos disponíveis, você não precisa ser um gênio de nada para começar a programar nesse jogo, mas precisa ser alguém disposto a ordenar comandos precisamente, porque a lógica existe e é bem cruel na maioria das vezes.

Não só a empresarial, mas a vida em si é bem imprevisível.
Não só a empresarial, mas a vida em si é bem imprevisível.

Alguns desafios são incrivelmente simples de resolver, mas encontrar essa solução simples é um processo muito complicado. Não espere walkthroughs ou quaisquer coisas parecida que possam facilitar sua vida, o máximo que o jogo oferece é um exemplo do resultado desejado, nada de atalhos para chegar até ele. Sobre ser difícil… adianto que é muito difícil as vezes, agora encrencar com isso jamais, até pela razoável quantidade de níveis disponíveis.

Diversão é algo que Human Resource Machine sabe entregar muito bem, começando pelos personagens carismáticos, suas falas cheias de mensagens profundas e ao mesmo tempo com muito bom humor. Há ensinamentos e filosofias valiosas que você não vai querer deixar em uma caixa. Os desafios divertem de forma instigante, quase nunca frustrante. Um jogo divertido à beça.

Os primeiros serão os últimos.
Os primeiros serão os últimos.

Os visuais, trilha sonora e esses detalhes mais técnicos dispensam comentários, são aquilo que você provavelmente já viu em World of Goo e Little Inferno, porém com aquele toque único dado para cada criação. É tudo muito lindo e adorável.

Human Resource Machine é sim um puzzle para nerds, mas acessível para qualquer um começar a programar. A Tomorrow Corporation parece mais consolidada agora, sua criação é como uma linguística computacional cuja maior característica é divertir com grandes ensinamentos.

Um cara de vinte e poucos anos apaixonado pelas coisas pequenas da vida. Desenvolvedor e ascendente escritor. É editor no Joguindie, seu maior xodó. Sua vida é repleta de coisas para fazer, pouco tempo para si, muito trabalho árduo e determinação. Gosta de jogar, ouvir músicas, ler quadrinhos, assistir filmes e animes, comer salgadinho, beber refrigerante, ficar em casa, e tantas outras coisas simples, mas valiosas para sua vida.

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